sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

[FINAL] Um herói na cadeira de rodas.

— Desesperado, tentei entrar no hotel. Algumas pessoas me seguraram dizendo que era loucura, pediram-me para esperar os bombeiros que em breve chegariam. — E fitando, Rodolfo, seu pai acrescentou: — Sua vida era mais importante que a minha. Poderia morrer, mas lutaria por você.
O filho não suportou. Começou a chorar diante dessa dramática história. Nesse momento, uma colega o abraçou. O senhor Guilherme continuou:
— O calor era insuportável. Comecei a tossir muito. Em meio à fumaça e ao fogo eu felizmente o alcancei. Você chorava inconsolado. Eu o abracei, o protegi e bati em retirada. Quando estava para sair do hotel, tropecei num objeto no meio do caminho. Os bombeiros, que haviam chegado, o resgataram, mas, antes que me socorressem, uma viga central desabou sobre minhas costas, fraturando minha coluna. Com a queda, meu rosto tocou em brasas vivas e se queimou.
O senhor Guilherme parou a narrativa para enxugar suas lágrimas. Em soluços, ele disse com sensibilidade inigualável:
— Eu sei que as pessoas se espantam com minha face. Mas as cicatrizes que abalam as pessoas é o sinal do amor intenso que tenho por você.

Rodolfo, que havia derramado algumas lágrimas, começou a chorar em voz alta. Se antes sentia vergonha do rosto deformado do seu pai, agora estava sentindo vergonha do seu egoísmo. Em prantos, perguntou:
— Por que vocês não me contaram essa história antes?
— Eu e sua mãe resolvemos não lhe contar a verdadeira história para que você nunca achasse que por sua causa eu sou um paralítico e deformado. Queríamos que você vivesse a vida intensamente e sem traumas. Tinha medo de que você não voasse alto, por ter pena de mim. Não queria que sua história fosse amarrada nas minhas limitações e em meus sofrimentos. Se eu errei, perdoe-me.
Rodolfo recordou de todas as vezes que tentava esconder seu pai dos seus amigos. Ele conhecia suas cicatrizes, mas não o conhecia por dentro. Entendeu que foi injusto e superficial. Profundamente arrependido, saiu da condição de um filho comum
para ser um filho brilhante. Olhou nos olhos do seu pai e, como se visse o cerne do seu coração psíquico, expressou:
— Papai, eu é que peço perdão. Eu não o conhecia, mas agora meus olhos o vêem. Eu tinha vergonha de você, mas agora vejo que por detrás dessas cicatrizes há um herói que me amou intensamente e lutou por mim com todas as suas forças — falou Rodolfo, num profundo estado de imersão emocional.
Os seus colegas também não contiveram a comoção. Olharam para suas vidas e, num momento de reflexão, descobriram que conheciam pouco os seus próprios pais.
Em seguida, o jovem Rodolfo levantou-se e abraçou seu pai como nunca o fizera. Raramente um abraço foi tão comovente. Depois desse gesto, fez outro gesto que seu pai jamais imaginou que fizesse: beijou as suas cicatrizes.

O pai sabia que o filho o desprezava, mas tinha esperança de que um dia ele retornaria para seus braços.


Espero que tenham gostado.
Uma história muito emocionante que tirei do livro "Filhos brilhantes,alunos fascinantes." 

Beijos e até a próxima !

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